Banalizada e rejeitada, vista apenas pelo enfoque material, a morte se torna um drama desesperador, algo sem explicação e que deixa um vazio muito amargo. Nessa esteira, Shakespeare, no monólogo sobre a finitude do ser, em sua famigerada obra Hamlet, revelando lamentável desconhecimento da escatologia cristã, questiona: “Morrer, dormir, dormir, sonhar, quem sabe?”.
O sentido cristão da morte pode ser buscado na vida. Ela se matura e anseia por uma transformação. Viver eternamente a vida biológica seria para o homem como que uma maldição, uma ruptura de finalidade. É como se o grão de trigo não quisesse transverter-se em pão, ou as rosas se negassem a enfeitar os altares. Tudo teria passado, cumprido um projeto, e ele não. É fácil imaginar a tragédia da larva que jamais se tornasse borboleta. Ao contrário, cumprir o objetivo criacional dá uma sensação de vitória. Sobre este aspecto há, ao nosso redor, muitas lições. Basta olhar a natureza. A semente não é a planta. A planta só nasce com a morte da semente. “A seguir Deus lhe dá o corpo como quer: ele dá a cada uma das sementes o corpo que lhe é próprio” (1Cor 15, 38). É com essa esperança que São Paulo encerra a questão, recordando que as próprias comunidades, em suas celebrações, já festejam a vitória de Jesus sobre a morte, e com ele, também nós celebramos desde agora nossa própria vitória.
A quem tiver sede, diz o Senhor, aos que têm fé e esperança na vida que há de vir, será dada, de graça, a “água da vida” (cf. Jo 4:14; Ap. 21:6b), que nada mais é que a vida eterna, alegre, feliz, sem os percalços e tribulações da vida atual.
Soli Deo Gloria!
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